Defendei-nos no combate

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São Miguel Arcanjo é, ao lado de São Gabriel Arcanjo, patrono da Força Aérea Grega.

Via This is Christian Europe.

A Virgem da árvore do bem e do mal

Por que Nossa Senhora em Fátima apareceu em uma árvore?

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Recife, 13 de Maio de 2015, Pe. Rafael Maria, osb

As aparições de Nossa Senhora trazem em si muitos elementos simbólicos, até incompreensíveis e quase nunca interpretados devidamente.

Por que Nossa Senhora em Fátima apareceu em uma árvore? Não poderia ter escolhido uma igreja, capela para se revelar? Poderia sim, mas não o quis. Por quê? Porque a árvore traz toda uma simbologia que nos remete à Bíblia e aos acontecimentos da salvação. Portanto, a mensagem da Aparição é sempre com conotação bíblica.

A mariologia das mariofanias de Fátima sempre se limitaram as suas palavras e poucos estudaram seus gestos e o aspecto físico da mesma. Isto tem alguma importancia? Sim, pois todas as mariofanias carregam não só uma mensagem falada, quando esta é uma visão ou locução interior como também seu modo de aparecer, suas palavras, seus gestos etc., possui uma mensagem. É dever da Igreja de DECODIFICA-LAS á luz da doutrina.

Em Fátima, a Mãe de Deus escolhe para aparecer sobre uma árvore chamada Azinheira/Carrasqueira. Ora, as características desta árvore é: folhas espinhosas (Sacrifício e Penitencia), tronco robusto de difícil decomposição (Assunção de Maria). Poder ser frondosa e de grandes proporções ou ser pequena. Seus frutos são ovóides.

Dois aspectos bíblicos sobre a árvore aplicados a Nossa Senhora foram aplicados pelos Santos Padres. A Sarça- ardente (cf. Ex 3,1-5) e o Cedro do Líbano (cf. Sir 24,13-14).

Tomamos da tradição oriental o melhor modo para se poder entender uma possível relação teológica com o modo como a Virgem Maria se apresenta na Serra d’Aire em 1917. É de tradição a veneração no Oriente de um famoso ícone datado do séc. XII no mosteiro de Santa catarina, justamente ao pé do Monte Sinai. Este ícone tem como como título, «Mãe de Deus como Sarça-ardente». Este ícone se inspira no texto de Ex 3,1-5. Mas, como a Igreja chegou a aplica a Nossa Senhora o título de Sarça-ardente? Venerandos autores deixaram testemunhos, citamos de início o patriarca Severo de Antioquia (séc. VI). Ele diz: “O ventre de Maria é como uma Sarça na qual desceu o Fogo teofânico e no qual Javé se torna presente e visível a Moisés. Quando volto meu olhar a Virgem Mãe de Deus e tento esboçar uma simples reflexão sobre ela, dai me vem com que uma voz vinda de Deus e que me grita aos ouvidos: ‘Não aproxima-te! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estas e terra santa!… Aproximar-se a Ela é como aproximar-se a uma terra santa, chegar ao Céu’ “

Do mesmo modo, os louvores dirigidos a Maria na liturgia por João Eucaita († 1079), onde aplica a Ela símbolos que mostram a sua participação na obra da redenção como Mãe de Deus. Ele canta: “Alegra-te, Virgem e Mãe Imaculada, sublime cipreste perfumado, que se levanta reto em direção a sumidade da divina contemplação; cedro vindo do Líbano (cf. Ct 4, 8), robusto e sensível aos humanos pensamentos, oliveira florida cujos frutos derrama  a graça do Espírito Santo; vinha florida que produziu par ao mundo a uva madura que alegra o coração de quantos te louvam justamente como Mãe de Deus”.

Tais exemplos iluminam perfeitamente a aparição da Virgem sobre a árvore da Azinheira que vai além de um simples pousar os pés em um arbusto. Contudo, também nos lembra a árvore do bem e do mau no jardim do Éden (cf. Gn 3,22), onde nossos primeiros pais fizeram sua escolha livre. Assim também em Fátima através do convite da Virgem, os videntes são convidados a aceitarem os sofrimentos para colaborarem na redenção de muitos que se perdem. Ora, aos pés da cruz do Redentor, que é o «fruto bendito» de Maria pendente no patíbulo, temos um outro aspecto da árvore da Vida. Esta árvore é associada a Maria pela sua escolha livre de estar «de pé junto à cruz» (Jo 19,25) e continuação do seu serviço (cf. Lc 1,26).


fatimaA Azinheira escolhida como a árvore da Aparição entra neste cenário de simbologia e teologia que nos indica todo o conteúdo da mensagem de Fátima. Fazer uma escolha de vida, entre o bem e mau… a árvore da Azinheira nos remete à árvore da Cruz de Cristo pela mediação de Maria, que por sua vez é a Sarça-ardente, pura e sem mancha  na sua Imaculada Conceição e na sua Virgindade perpetua. Ela, o Cedro do Líbano, frondoso nas suas graças e perfumado com o odor da santidade, tão agradável Deus.

As aparições da Virgem em Fátima nos convidam a olhar a «Árvore da Vida», a Cruz como sinal de vitória, mas também nos faz um convite ardoroso de sermos frutos saborosos com a nossa perseverança nos Mandamentos do Senhor.

Dom Rafael Maria, é Doutor em Mariologia e ministra dois «Curso de Mariologia» pelo site:www.cursoscatolicos.com.br. Possui Diplomas em Counseling, Postulação para Causa dos Santos e Tutor de Ensino a Distância pela PUC- RS. Informações: d.rafaelmariaosb@hotmail.com

Fonte:  ZENIT.org, via O Camponês.

Passio Domini

Passio Domini

Via Crucis, de El Greco
Via Crucis, de El Greco

Com o termo “Passio Domini” (“Paixão do Senhor”) se entendem as horas da Paixão de Jesus, desde a quinta-feira à noite, às 21:00h, até a hora da Sua Morte na sexta-feira, às 15:00h.

Buscamos nestas horas – horas de graças especiais de união com Jesus em Seu combate espiritual e Seus sofrimentos salvíficos – , cada um conforme as suas possibilidades, reservar um tempo adequado paraa oração, intercessão e meditação daquilo que Jesus fez e sofreu por cada um de nós, sobretudo na quinta-feira à noite e durante as horas da cruz.

Podemos passar este tempo sozinhos ou em grupo, numa igreja ou em casa, conforme as possibilidades e a preferência de cada um.

Certamente, pode-se meditar a Paixão do Senhor em qualquer horário. No entanto, como entre os dias da semana há um dia especial da ressurreição do Senhor, o domingo, no qual o Senhor nos oferece graças especiais para participarmos do mistério salvifíco da Sua ressurreição , assim também há dias e horas peculiares da Sua Paixão, nas quais, de um modo singular podemos entrar neste mistério de amor e dor, rezando, meditando e padecendo com o Senhor.

Na fidelidade a este piedoso exercício da Passio Domini se revela a nossa busca da união mais íntima possível com o Senhor, que só se alcança por meio de um amor que é capaz de suportar com Ele a provação e o sofrimento. Procuramos sintonizar o nosso coração com o Coração de Jesus e conformar as nossas intenções com as Suas.

Assim, a Passio Domini se apresenta diante de cada um de nós como um convite do Senhor a segui-Lo e a acompanhá-Lo em Sua Paixão. “Celebrar” a Passio Domini significa responder a este convite, tomando sobre nós o suave jugo de Jesus e unindo-nos a Ele em Sua luta pela salvação dos homens.

São, sem dúvida, horas de recordação, nas quais lembramos o que Jesus fez e sofreu para nós, durante as últimas horas de Sua vida.

Mas a Passio Domini é mais do que recordar o que aconteceu no passado. Por isso, são também horas nas quais procuramos associar-nos à Paixão de Jesus na Igreja e na humanidade dos nossos dias, reparando as ofensas e os pecados de nosso tempo. Há tantas dificuldades, discórdias na Igreja, tanto sofrimento no mundo que nos rodeia. Tudo isso queremos levar conosco nesta horas, a fim de que haja um encontro com a Paixão do Senhor. As horas da Passio Domini se transformam desta maneira, pela nossa participação, em momentos nos quais acontece a redenção de muitas almas pelo Sangue de Jesus.

Na quinta-feira:

– Podemos agradecer muito pelo sublime dom da Eucaristia e pedir perdão por todas as negligências, ofensas, ultrajes e sacrilégios, pelo quais o Senhor é continuamente ofendido.

– Podemos acompanhar Jesus como os Apóstolos e acolher em nosso coração o Seu convite: ” Ficai aqui, enquanto vou orar.”

– Podemos aprofundar-nos em Sua angústia mortal: “Minha alma está triste até a morte” e consolá-Lo através de nossa presença, como também interceder pelos moribundos.

– São as horas nas quais o Senhor Se deixou confortar por um Anjo (Lc 22, 43). Podemos, portanto, deixar inspirar-nos por este Anjo e confortar o Senhor, pela nossa oração, intercessão e pela nossa luta, sobretudo quando o cansaço nos quiser fazer desistir e a oração ficar difícil e pesada.

– Nestas horas, o Senhor suou sangue. Podemos pedir estas gotas de sangue do Senhor, que caíram por terra (Lc 22,44), e alcançar assim as graças que o mundo, a Igreja, as almas e nós mesmos mais precisamos.

Na sexta-feira:

– Na sexta-feira, é bom meditarmos uma via-sacra. Também as sete Palavras de Jesus na Cruz merecem nossa meditação particular.

– Sempre, porém, seja na quinta-feira seja na sexta-feira, pode-se tomar outro momento da Paixão de Cristo, como por exemplo: a traição de Judas; a negação de Pedro; o interrogatório; a prisão; a condenação; Jesus diante de Pilatos; a flagelação ou a coroação de espinhos.

Resumidamente, a Passio Domini é para nós:

Um convite que quer ser acolhido; um mistério que precisa ser descoberto; uma missão específica e importante que devemos assumir e viver cada vez mais profundamente, no amor de Cristo, nosso Mestre, conforme o exemplo de Maria, a Mãe debaixo da Cruz, e em união com os nossos irmãos celestes, os Santos Anjos.

Texto extraído: Passio Domini – Ir. Maximilian M. Plochl

Via Opus Sanctorum Angelorum

Uma peça do século X

Esta é a peça polifônica mais antiga que conhecemos, datada do século X. Foi descoberta há pouco.

Perfomance de Quentin Beer e John Claphan, músicos graduados pela St John’s College, Cambridge.

“Sancte Bonifati, martyr inclyte Christi, te quaesumus ut nos tuis precibus semper gratiae Dei commendare digneris.”

São Bonifácio, mártir renomado de Cristo, pedimos-te que por tuas orações, tu possas sempre se dignar a nos elogiar à graça de Deus.

(Via Higo Felipe).

Homenagem a Roberto Gomez Bolaños (1929 – 2014)

Em vários episódios, Roberto Gomez Bolaños, falecido ontem, apresentou elementos da fé popular católica mexicana nos seus programas. Talvez o mais comovente seja o final deste quadro do Chompiras e Peterete, personagens vividos por ele e pelo também saudoso Ramón Valdéz. Aqui, a cena remonta ao poderoso tema do ladrão arrependido diante da cruz, que retorna à fé da infância ao recordar sua própria história e ver como Jesus esteve com ele em seus melhores momentos:

Em outro quadro, uma homenagem do Chespirito ao “Hermano Francisco”:

Por fim, às vésperas do Advento, não há como não lembrar do especial de Natal do Chaves:

Que La Morenita de Guadalupe o receba no céu.

Do que consiste a perfeição segundo São Gregório de Nissa

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Todos estes testemunhos são uma clara demonstração de que a vida de Moisés alcançou o limite mais elevado da perfeição. Posto que investigávamos qual é a perfeição da vida virtuosa e, pelo que já dissemos, descobrimos esta perfeição, é hora, nobre homem, de que olhes para o modelo e, aplicando a tua vida quanto temos contemplado nos acontecimentos históricos com interpretação espiritual te faças ser conhecido de Deus (Ex 33, 12 e 17) e assim te convertas em seu amigo. A perfeição consiste verdadeiramente nisto: em afastar-se da vida de pecado não por temor servil do castigo, e em fazer o bem não pela esperança do prêmio, negociando com a vida virtuosa com disposição e ânimo interessado e mercantilista, mas consiste em que, olhando mais alem de todos os bens que nos estão preparados em esperança segundo a promessa, não tenhamos como temível mais que ser repudiados da amizade de Deus, e não julguemos respeitável e amável para nós senão o chegar a ser amigos de Deus. Isto é, em minha opinião, a perfeição da vida.

São Gregório de Nissa, Sobre Vida de Moisés. Século IV.

Imagem: mosaico bizantino: Moisés descalçando os pés para se aproximar da salsa ardente. Tirado do blog Theosis: http://philoski.blogspot.com.br/.