Passio Domini

Passio Domini

Via Crucis, de El Greco
Via Crucis, de El Greco

Com o termo “Passio Domini” (“Paixão do Senhor”) se entendem as horas da Paixão de Jesus, desde a quinta-feira à noite, às 21:00h, até a hora da Sua Morte na sexta-feira, às 15:00h.

Buscamos nestas horas – horas de graças especiais de união com Jesus em Seu combate espiritual e Seus sofrimentos salvíficos – , cada um conforme as suas possibilidades, reservar um tempo adequado paraa oração, intercessão e meditação daquilo que Jesus fez e sofreu por cada um de nós, sobretudo na quinta-feira à noite e durante as horas da cruz.

Podemos passar este tempo sozinhos ou em grupo, numa igreja ou em casa, conforme as possibilidades e a preferência de cada um.

Certamente, pode-se meditar a Paixão do Senhor em qualquer horário. No entanto, como entre os dias da semana há um dia especial da ressurreição do Senhor, o domingo, no qual o Senhor nos oferece graças especiais para participarmos do mistério salvifíco da Sua ressurreição , assim também há dias e horas peculiares da Sua Paixão, nas quais, de um modo singular podemos entrar neste mistério de amor e dor, rezando, meditando e padecendo com o Senhor.

Na fidelidade a este piedoso exercício da Passio Domini se revela a nossa busca da união mais íntima possível com o Senhor, que só se alcança por meio de um amor que é capaz de suportar com Ele a provação e o sofrimento. Procuramos sintonizar o nosso coração com o Coração de Jesus e conformar as nossas intenções com as Suas.

Assim, a Passio Domini se apresenta diante de cada um de nós como um convite do Senhor a segui-Lo e a acompanhá-Lo em Sua Paixão. “Celebrar” a Passio Domini significa responder a este convite, tomando sobre nós o suave jugo de Jesus e unindo-nos a Ele em Sua luta pela salvação dos homens.

São, sem dúvida, horas de recordação, nas quais lembramos o que Jesus fez e sofreu para nós, durante as últimas horas de Sua vida.

Mas a Passio Domini é mais do que recordar o que aconteceu no passado. Por isso, são também horas nas quais procuramos associar-nos à Paixão de Jesus na Igreja e na humanidade dos nossos dias, reparando as ofensas e os pecados de nosso tempo. Há tantas dificuldades, discórdias na Igreja, tanto sofrimento no mundo que nos rodeia. Tudo isso queremos levar conosco nesta horas, a fim de que haja um encontro com a Paixão do Senhor. As horas da Passio Domini se transformam desta maneira, pela nossa participação, em momentos nos quais acontece a redenção de muitas almas pelo Sangue de Jesus.

Na quinta-feira:

– Podemos agradecer muito pelo sublime dom da Eucaristia e pedir perdão por todas as negligências, ofensas, ultrajes e sacrilégios, pelo quais o Senhor é continuamente ofendido.

– Podemos acompanhar Jesus como os Apóstolos e acolher em nosso coração o Seu convite: ” Ficai aqui, enquanto vou orar.”

– Podemos aprofundar-nos em Sua angústia mortal: “Minha alma está triste até a morte” e consolá-Lo através de nossa presença, como também interceder pelos moribundos.

– São as horas nas quais o Senhor Se deixou confortar por um Anjo (Lc 22, 43). Podemos, portanto, deixar inspirar-nos por este Anjo e confortar o Senhor, pela nossa oração, intercessão e pela nossa luta, sobretudo quando o cansaço nos quiser fazer desistir e a oração ficar difícil e pesada.

– Nestas horas, o Senhor suou sangue. Podemos pedir estas gotas de sangue do Senhor, que caíram por terra (Lc 22,44), e alcançar assim as graças que o mundo, a Igreja, as almas e nós mesmos mais precisamos.

Na sexta-feira:

– Na sexta-feira, é bom meditarmos uma via-sacra. Também as sete Palavras de Jesus na Cruz merecem nossa meditação particular.

– Sempre, porém, seja na quinta-feira seja na sexta-feira, pode-se tomar outro momento da Paixão de Cristo, como por exemplo: a traição de Judas; a negação de Pedro; o interrogatório; a prisão; a condenação; Jesus diante de Pilatos; a flagelação ou a coroação de espinhos.

Resumidamente, a Passio Domini é para nós:

Um convite que quer ser acolhido; um mistério que precisa ser descoberto; uma missão específica e importante que devemos assumir e viver cada vez mais profundamente, no amor de Cristo, nosso Mestre, conforme o exemplo de Maria, a Mãe debaixo da Cruz, e em união com os nossos irmãos celestes, os Santos Anjos.

Texto extraído: Passio Domini – Ir. Maximilian M. Plochl

Via Opus Sanctorum Angelorum

Uma peça do século X

Esta é a peça polifônica mais antiga que conhecemos, datada do século X. Foi descoberta há pouco.

Perfomance de Quentin Beer e John Claphan, músicos graduados pela St John’s College, Cambridge.

“Sancte Bonifati, martyr inclyte Christi, te quaesumus ut nos tuis precibus semper gratiae Dei commendare digneris.”

São Bonifácio, mártir renomado de Cristo, pedimos-te que por tuas orações, tu possas sempre se dignar a nos elogiar à graça de Deus.

(Via Higo Felipe).